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Yves Camdeborde, do Le Comptoir du Relais, Bruno Cingolani, do Dulcis Vitis, Renzo, do Antica Corona Reale da Renzo, Andoni Luiz Aduriz, do Mugaritz, Raquel e Philippe, do Le Baratin, irmãos Roca, do El Celler de Can Roca, Victor Arguinzoniz, do Asador Etxebarri, Marc Meneau, do L'Espérance, Massimo Bottura, do Osteria Francescana, Emmanuel Renaut, do Flocons de Sel à Megève, Inaki Aizpitarte, do Le Chateaubriand, Martín Berasategui, Ferran Adrià, Carlo Cracco, Quique Dacosta, Juan Mari Arzak...
Esse poderia ser o começo de uma lista dos melhores chefs e restaurantes do mundo, mas, neste caso, estamos falando de grandes amigos de Jacques Tréfois. Eu digo: "que prestígio!". Mas ele diz que não é isso, é amizade mesmo. Jacques não é chef nem crítico de restaurante, muito menos autor de livros sobre vinhos ou gastronomia. Mas sabe comer e beber como poucos - e fala o que pensa, o que lhe rende a fama de polêmico. E ele nos falou sobre tudo isso com emoção e intensidade, em um português carregado de sotaque francês, ora temperado com espanhol, ora com gírias brasileiríssimas.
Como você veio parar no Brasil?
Nasci na Bélgica e, quando tinha 12 ou 13 anos, minha família se mudou para a Argentina. Depois de 14 anos lá, vim para o Brasil trabalhar na Loius Dreyfus - na época, chamada Coimbra. Quando cheguei, eu me apaixonei de imediato, coisa que não aconteceu na Argentina.
Você tem uma filha que é chef...
Tenho um filho e uma filha. O trabalho dele de conclusão do curso de Administração de Empresas teve com tema a alta gastronomia, algo inédito. Minha filha fez faculdade de arquitetura e decoração, mas depois decidiu ser chef. Eu disse que não era fácil, mas ela estava decidida. Então, como conheço os grandes chefs da Europa, ela foi passar alguns anos lá, entre a Espanha, a França, a Itália e também o Japão.
Como você fez essas amizades?
Em viagens. Ia para a Europa umas 30 vezes por ano a trabalho. Às vezes, eram viagens de um dia só, mas eu sempre dava um jeito de passar uma noite para jantar. Assim comecei a conhecer os chefs. Sou muito aberto para falar as coisas, que podem estar certas ou não. Pergunto sobre os pratos, dou palpites. Hoje, quando vou, é uma festa!
O que você acha do trabalho desses chefs?
Eles são verdadeiros artistas. Não que eu goste apenas da alta gastronomia, mas ela é uma arte. Quando você paga caro para comer, o mínimo que você tem que ter é uma emoção. Se não tiver, perdeu a noite. Na França, na alta gastronomia, você não tem emoção hoje. São dois ou três bons. Já na Espanha, há muitos fenômenos. Quem lançou isso foi o Ferran Adrià, e os espanhóis entenderam imediatamente que não era para copiar Ferran, mas para se inspirar em certas técnicas dele e fazer o que quisessem.